Luiz Márcio Malzone
Professor e monitor da ABS-Rio

Degustação feita pelo grupo 528

Oxford Landing Chardonnay – 2011 – 12,5% (ch)
Yalumba (Oxford Landing) – Murray River (South Australia) – Austrália

A vinícola Oxford Landing foi fundada em 1958 numa área margeando o rio Murray, próximo à cidade de Waikerie, não muito longe de Barossa Valley. Faz parte da empresa familiar Yalumba, cujo nome tem mais de 150 anos de tradição em vinhos. Cerca de 20% da fruta deste vinho foi fermentado utilizando “leveduras selvagens”, com prolongado contato com a borra na pós-fermentação. Além disso, foi adicionada ao blend final uma pequena porção (5%) de vinho reserva da safra anterior, que havia sido mantido em barricas de carvalho francês. A Oxford Landing orgulha-se dessa técnica única, que serve para adicionar camadas extras de complexidade e textura, realçando a poderosa fruta inata deste vinho. Cor dourada com vibrantes tons de verde. Generosos aromas de pêssegos brancos recém-cortados, frutas cítricas, melão, noz-moscada e canela. O vinho tem uma textura maravilhosamente uniforme no paladar de sabores frescos de frutas brancas. Essa refinada textura cremosa é o resultado da contínua agitação das borras durante a elaboração do vinho. Mostra final fresco, limpo, persistente, com tentadora acidez mineral. Segundo o produtor, pode ser guardado por cinco anos. Distribuído pela KMM.

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www.oxfordlanding.com

Comentários dos degustadores: um vinho branco com a cara e o espírito da Austrália. De cor muito agradável ao visual, boa mostra de aromas e de sabores. Um amarelo ouro claro, muito brilhante e muito transparente. Nos aromas, muito cítrico adocicado, como abacaxi cristalizado, um toque mineral bem sutil e pêssegos maduros. Quando degustado, mostra um equilíbrio muito bom e aromas de boca bastante elegantes, numa mescla de intensidade e persistência excelentes. Um final muito fresco, que deixa um sabor muito agradável na boca. Tanto pode ser degustado sozinho, como acompanhando uma boa refeição de pescados e mariscos. Recebeu nota média de 90,66 do grupo, mostrando um ótimo custo/benefício.

Domaine de Bellene – Bourgogne – Maison Dieu – Vieilles Vignes – 2011 – 12,5% (pn)
Domaine de Bellene – Borgonha – França

A mais prestigiosa região do mundo para vinhos elaborados com pinot noir e chardonnay. Suas sub-regiões formam um mosaico fascinante de terroirs variados, que imprimem aos brancos e tintos nuances e sutilezas que seduzem os apaixonados pelos grandes vinhos. Existe um grande número de pequenos proprietários, e aqui, mais que em qualquer outra região da França, o conhecimento das sub-regiões e dos produtores é essencial para a identificação das melhores opções. Este pequeno domaine foi criado em 2005 por Nicolas Potel, a partir de parcelas de vinhas velhas (de 50 a 110 anos) adquiridas em Santenay, Saint-Romain, Volnay, Beaune, Nuits-Saint-Georges, Savigny-lès-Beaune e Vosne-Romanée. A moderna adega foi estabelecida em uma casa do século XVI restaurada, na cidade de Beaune (Bellene é o nome romano da cidade), e tem um elevado grau de sustentabilidade, com uso de energia solar, aquecimento por material de podas e tratamento de efluentes. Tanto as vinhas quanto os vinhos são trabalhados de acordo com métodos biodinâmicos e vinificados sem qualquer intervenção enológica, sem chaptalização ou acidificação. O objetivo do enólogo não é outro que não a profunda utilização de vinhas velhas. As mais jovens têm 35 anos e as mais antigas, Les Beaune 1er Cru Grèves, 104 anos. Assim, as raízes das plantas se prolongam muito profundamente no solo para tirar o melhor do terroir. A vinícola tem certificado BIO, resultado do trabalho feito desde 2006. Essa parcela está localizada na cidade de Pommard e foi plantada em 1928. É o vinhedo mais antigo do domaine, comprado pelos pais de Nicolas Potel em 1978. Sob controle orgânico desde 1992, é o vinhedo que deu uma boa referência para o domaine sobre a qualidade dessa técnica. A área de superfície é de 4,66 hectares, com solos argilo-calcários e exposição sul-sudeste. A colheita manual é feita em pequenas caixas de 10 kg, para que as uvas permaneçam inteiras até a adega. Durante a vinificação, não é adicionado qualquer elemento exterior, usando somente as leveduras naturais. 100% dos cachos são desengaçados. A fermentação começa nas cubas de inox e depois segue em tonéis grandes de carvalho antigo, durando de 15 a 25 dias, a uma temperatura de 32 °C. É usada uma prensa vertical, que permite obter um suco límpido, evitando o uso de enzimas e de filtração. As cubas são esvaziadas por gravidade e o vinho é armazenado em barricas de carvalho de 1 a 3 anos, durante 10 meses. Pigeagem e remontagem leves. A fermentação malolática ocorre, geralmente, entre a primavera e o verão. Um belo nariz de frutas vermelhas e aromas suaves de terra. Na boca, apresenta corpo médio, sabores ricos extraordinariamente generosos para esta denominação de origem regional. Vinho distribuído pela Premium.

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www.domainedebellene.com

Comentários dos degustadores: o vinho degustado é de um vermelho rubi já passando para granada, muito claro e bastante transparente. Mesmo para um pinot noir, é um vinho muito claro, mostrando um percentual muito pequeno de extrato seco. Poucos foram os aromas que se mostraram, mas são percebidas principalmente frutas vermelhas já passando a maduras. Pouca intensidade e igual persistência são notados nas sensações iniciais e nem o aumento de temperatura modifica esse efeito, portanto um vinho só mediano no exame olfativo. Na boca, equilíbrio satisfatório, mas mostrando um pouco mais de álcool do que os 12,5% de sua ficha técnica. A falta de corpo, entretanto, não perdoa. Muito pouco corpo, mesmo para um pinot noir. Aroma de boca, sua intensidade e sua persistência são só razoáveis. Mostra claramente que não é um dos melhores vinhos desta vinícola. Caro para o que mostrou. Recebeu do grupo uma nota média 82,66.

Palliser Estate Pinot Noir – 2009 – 14,5% (pn)
Palliser Estate Wines – Martinborough – Nova Zelândia

A história da Palliser Estate remonta há algumas décadas. A primeira colheita foi feita em 1989 e desde as primeiras safras, os seus vinhos vêm ganhando reconhecimento internacional. O empreendimento, de 92 ha, está situado em Martinborough, no extremo sul da Ilha Norte da Nova Zelândia. Diz-se que é o melhor lugar para plantar vinhedos no país, com a combinação perfeita de solo, água e clima. Tem ótima insolação, noites muito frescas e outono muito seco, bem como solos pouco férteis e grande exposição a ventos que reduzem naturalmente os rendimentos. As principais variedades cultivadas são Pinot Noir, Chardonnay, Riesling, Sauvignon Blanc e Pinot Gris, distribuídas por cinco vinhedos: Palliser, Pencarrow, Om Santi, Pinnacles e Clouston. Todos os vinhedos estão localizados no Martinborough Terrace, mas possuem diferenças de tipos de solo e clima, o que ajuda a trazer complexidade aos vinhos. A vinícola foi construída em 1991 e expandida em 2002 para atender à crescente produção. Uma sala de barricas com temperatura e umidade controladas minimiza a evaporação durante o afinamento dos vinhos. Especial atenção é dada à proteção e melhoria do ambiente, estimulando a diversidade de espécies de plantas, reduzindo o consumo de recursos, reutilizando águas servidas, evitando o uso de papel, embalando os vinhos em caixas recicláveis. A Palliser tem certificado internacional ISO 4001 para o ambiente e é membro do movimento de Vinicultura Sustentável. Vinho de corpo médio e com madeira moderada, é melhor se tomado a partir de três anos da safra, por seis ou mais anos. É produzido com uvas mescladas dos vinhedos antigos e dos mais recentes, com clones de Dijon. A vinificação foi feita em estilo tradicional, em tanques abertos. O vinho maturou em barricas francesas por 12 meses. Aroma rico e denso, mostrando cerejas negras, especiarias e leves notas de cogumelos. Seguem-se intensas notas de frutas vermelhas e negras bem maduras e madeira sutil. Na boca, concentra frutas vermelhas maduras e taninos finos, com textura e persistência. Jovial e saboroso, com um longo final, é um Pinot Noir distinto que evoluirá graciosamente. Harmoniza bem com carnes de caça de pena, carne bovina não gordurosa e pato. Este vinho é distribuído pela Premium.

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www.palliser.co.nz

Comentários dos degustadores: comparando-se ao vinho degustado acima, este tem muito mais corpo. Mostrou bem a diferença entre o Velho e o Novo Mundo. De cor rubi médio, levemente opaco, este pinot noir mostrou que a Nova Zelândia não está brincando de fazer vinho. Está conquistando mercados com bons vinhos, de agrado do consumidor. Com um bom leque de aromas, principalmente frutados, com boa intensidade e persistência, o primeiro exame agrada aos sentidos. Degustado, mostrou um excelente equilíbrio e aroma de boca muito agradável. Intenso e persistente na medida certa. Um bom vinho, feito corretamente, com as coisas básicas que se pode esperar de um pinot noir. Em relação ao degustado anteriormente, acima indicado, foi superior. Atribui-se isso ao gosto médio do brasileiro?  Não sabemos, mas certamente este foi melhor do que o outro. Ganhou média 89,11 do grupo, com 89 do monitor.