Luiz Márcio Malzone
Professor e monitor da ABS-Rio

Le Malbec de Cayx – 2011 – 13% (mb)
Chateau de Cayx – Cahors – França

A região francesa de Cahors (DOC desde 1971) é o berço da uva Malbec, conhecida também como Auxerroi e Côt Noir. Cahors possui a maior diversidade de castas plantadas em todo o território francês, denotando a importância da região vinícola para o país europeu. Além disso, as uvas tintas cultivadas na região são a maioria, representando 80% da produção total de Cahors. O vinho Cahors produzido com a Malbec é conhecido como “vinho negro”, devido à sua coloração intensa e escura, proveniente de um processo em que uma grande fração do suco fermentado é fervida. Essa variedade de vinho denota taninos mais aveludados, consequência das técnicas de vinificação empregadas. Os exemplares jovens do vinho Cahors possuem cores densas e até mesmo negras. Entretanto, a variedade apresenta um excelente potencial de envelhecimento, suavizando inclusive, a coloração do vinho. Château de Cayx é o projeto pessoal do Príncipe da Dinamarca, um célebre amante de vinhos e da boa mesa. Localizado no coração de Cahors, o Château Cayx conta com apenas 21 hectares de vinhedos históricos e impecavelmente cuidados. A produção não passa de 12 mil caixas por ano, e até a dois anos destinava-se apenas ao consumo da família real e de seus convidados. Desde que uma pequena quantidade passou a estar disponível aos amantes do Malbec francês, as novas safras se esgotam assim que são lançadas. O Le Malbec de Cayx é produzido a partir de um vinhedo único de solo calcário, em Haut du Causse, esbanjando notas de frutas silvestres negras. Não passa em madeira, sendo maturado em tanques de inox. Vinho distribuído pela Mistral.

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www.chateau-de-cayx.com

 

Comentários dos degustadores: um vinho para ser descoberto aos poucos. Elegante, discreto, aparece devagar. É preciso um pouco de tranquilidade para degustá-lo. Não como um Malbec argentino, que de saída mostra os seus aromas, o seu corpo, a sua potência.  É suave, agradável, talvez com a mesma fineza de movimentos que é peculiar às famílias reais. Um rubi escuro, opaco, muito brilhante. Aromas, abrem-se aos pouquinhos. Boa intensidade, mas controlada. Boa persistência, mas sem exagero.  Um equilíbrio quase ótimo, pois faltou um tiquinho de acidez. O álcool, na proporção adequada. Intenso, persistente na boca, com um final muito agradável. Não queiram comer um churrasco com ele. É mais para pratos mais finos. Um bom cordeiro, uma perna de javali, com bons condimentos. Foi avaliado com uma nota média 90,5 (monitor 90).

 

Masi Tupungato Malbec – 2012 – 13% (mb)
Agrícola Masi – Mendoza (Valle de Uco) – Argentina

A região de Mendoza é conhecida como o berço do vinho argentino e possui a fama de produzir o melhor Malbec do mundo. Mendoza é responsável por 70% da produção de vinhos da Argentina, tornando-se uma das áreas vinícolas mais importantes das Américas e do Novo Mundo. Entre pequenos produtores e gigantes vitivinícolas, possui mais de mil bodegas que utilizam tecnologia avançada no cultivo, fermentação e comercialização do vinho. Há 15 anos a Agricola Masi, um dos mais tradicionais e reverenciados produtores da Itália, elabora vinhos combinando o terroir de Tupungato com as técnicas do Veneto. O nome Masi vem de “Vaio dei Masi”, um pequeno vale perto de Valpolicella, onde a família está instalada há mais de um século. Com vinhedos em algumas das melhores localizações de Mendoza, a vinícola conta com vinhedos antigos de Corvina e Malbec. Masi é talvez a maior autoridade na técnica de passificação de uvas, o grande segredo dos poderosos Amarones e uma das grandes estrelas do mundo do vinho. As uvas de nosso vinho são provenientes dos vinhedos La Arboleda, no vale do Tupungato, de 950 a 1050 msnm. Fermentam com temperatura controlada e maturam seis meses em barricas de carvalho.  Um vinho de corpo médio que pode ser guardado por 10 anos e que acompanha bem carnes, cordeiro, massas, servido de 16º a 18º C. Denso, cheio de fruta e especiarias, com um toque de chocolate no final da boca e um sotaque tipicamente europeu. Muito gastronômico, tem excelente relação de qualidade/preço. Sua distribuição é feita pela Mistral.

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www.masi.it/eng/terre_vocate/tenute/vigneti_arboleda_masi

 

Comentários dos degustadores: um vinho argentino, com coração italiano, sem dúvida. Percebe-se nele a alma do Veneto. Mais encorpado do que o francês degustado acima e menos elegante. Mas muito mais potente e provavelmente com muito mais potencial de guarda. E um custo/benefício como poucos. Excelente!  Vinho escuro, de um rubi bastante brilhante, opaco. Ainda um pouco fechado no nariz, seu leque de aromas não se mostrou totalmente, mas indicou intensidade e persistência bem razoáveis. Na boca, o tanino ainda apareceu. Talvez faltasse um pouquinho de álcool. Boa qualidade e agradabilidade nos aromas de boca, com um final saboroso. Nem de longe pareceu um daqueles vinhos Malbec argentinos aos quais estamos acostumados. É certamente um produto italiano, do Veneto, mas feito com uma uva que, cada vez mais, se torna argentina. Preço?  Vejam lá!  Vale a pena!  Nota média 89,81 (monitor 89).