Luiz Márcio Malzone
Professor e monitor da ABS-Rio

Poucos conhecem o esforço e sacrifício que um sommelier faz para ter esse título homologado pela ABS. Quando vamos a um restaurante e encontramos um sommelier que tem um pin da ABS um pouco diferente (redondo, um tanto diferente daquele normal da ABS, que é retangular), não temos ideia do esforço e sacrifício pessoal que aquele profissional fez, durante muito tempo, para conseguir a sua homologação como sommelier pela ABS. Talvez pelo fato de ser tão difícil submeter-se a tal exame é que tenhamos tão poucos homologados no Brasil: hoje temos somente 47, em todo o Brasil, sendo 28 no Rio de Janeiro.

Já participei de algumas correções de provas e, por duas vezes, da mesa julgadora de homologações de sommeliers (sendo a última há poucos dias) e tive a oportunidade de constatar a dificuldade daqueles profissionais para alcançar esse objetivo. Prova escrita, com mais de 50 questões e com aproveitamento mínimo exigido, provas de vinhos e destilados às cegas, serviço de vinho a dois “clientes” (enquanto se é bombardeado com questões técnicas), exame e correção de uma carta de 10 vinhos, todos eles com erros propositais… E os mais de 10 examinadores olhando, escutando e avaliando cada detalhe requerido, cada minúcia, cada resposta, cada movimento.

É válido lembrar que são profissionais que labutam diariamente em horários os mais diversos e que pouco tempo têm para estudar essa matéria cheia de detalhes técnicos, nomes de países, produtores, vinhos, regiões, métodos de produção, serviço à mesa, elegância, como falar bem, inclusive nomes estrangeiros, enfim, tantas nuances e minúcias que desestimulariam qualquer um que não tivesse essa homologação como uma grande barreira a ser ultrapassada em sua escalada profissional. E que se dedicam de corpo e alma a essa obtenção, como um prêmio valioso por seu esforço, seu sacrifício, pelas horas e mais horas de estudo, de resignação, de dedicação exclusiva.

Mesmo alguns que conseguem uma boa nota na prova escrita, infelizmente muitas vezes não têm o mesmo sucesso na parte prática. Mas não desistem!  Na próxima homologação eles estarão lá, tentando e tentando de novo, pois sabem que usar aquele pin, o redondo, é o objetivo. E sua grande motivação será não desistir nunca.

Por isso, caro amigo da ABS, quando você e seus amigos forem a algum local (como o seu restaurante de costume, por exemplo) e encontrarem a seu serviço um sommelier com aquele pin redondo, olhe-o com respeito: ele lutou muito por essa comenda e vai servi-lo como ninguém, pois ele é um SOMMELIER HOMOLOGADO PELA ABS.